Sunday, January 01, 2006

Horas de Balanço


Nestas alturas, as pessoas fecham para balanço. Apanham as bebedeiras, fumam uma ganza, o delírio incontrolado como o vómito que virá depois, e normalmente ficam mais humildes, contidas. Costumam dar valor ao que mais importa na vida, ao que realmente precisam ou lhes faz falta.

Pedem ás namoradas para voltarem, que foram uns estúpidos, aos maridos para as perdoarem, que foram iludidas, aos filhos para as compreenderem, porque não entenderam, aos amigos perdidos imploram uma justificação, ou encenam uma desculpa postiça. É o mundo inteiro arrependido, implorando um perdão ridículo e fora de tempo.

Depois disto, as pessoas acordam ressacadas para a lucidez da sua vidinha geométrica, mal calculada.

Foi apenas um lampejo de razão no oceano do engano, do fingimento de algo que não querem, nem precisam.

Um arrependimento?


(© albatroz, 2005)

1 Comments:

At 9:48 AM, Anonymous Anonymous said...

Foi bom olhar o fogo de artificio reflectido no rio, contigo ao meu lado e sentir que não me arrependi de nada.

I.

 

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