Resumo 2006 – Parte 3 : O meu mundo
“ System Error ”
Foi o ano do fim da guerra mentirosa e da sua ditadura de morte, balas, fogo e sofrimento.
Passados então que foram os tempos da masturbação colectiva dos “neo-coninhas “ de lá e de cá, que a finca pé defenderam a intervenção armada como solução para o cenário criada no médio oriente , vive-se agora um constrangimento generalizado, um silêncio incomodo, e a saída de cena silenciosa de muitas bocas que tanto bradavam antigamente.
Inesquecíveis serão para todo sempre o chulo Blair e a sua parafernalia idiótica e hipócrita de subserviência na melhor tradição britânica. Saiu de cena. E como esquecer o oportunismo escatológico do Durão, a vergonha que Portugal passou na cimeira dos Açores. Agora é tarde. Já pactuamos. Imortais serão também as imagens do ridículo de Colin Powell com o saquinho branco de Antrax nas Nações Uindas e o dedo erguido prometendo a guerrinha estúpida. Tiro pela colatra.
E claro…Como será possível não recordar a corja NeoCon, alinhada nos corredores do pentágono. Vendida, hipócrita, sedenta de guera e de dinheiro. E Rumsfeld e a sua empresa de logística, a Halliburton, que facturou com a morte. Mais tarde, saiu pela porta do cavalo, resignado, enxovalhado e isolado. Mas rico…E não era esse o objectivo?
E agora América? Como será possível passar por cima desta vergonha, deste dislate infinito e reconstruir a imagem junto do resto do mundo, recuperar a imagem e força diplomática de outros tempos, agora ferida de morte?
O médio oriente ruiu completamente num mosaico de grupos para-militares que juram morte e vingança contra o ocidente, E pior do que isto, só mesmo o facto de esse mesmo ocidente lhe ter dado algo de indestrutível: A razão. O mote e o propósito.
E o ocidente volta a insistir no mesmo erro de tratar o Terrorismo e os terroristas à moda de Hollywood. Bons e maus, justos e pecadores. Mas o terrorismo é apenas a face visível de uma nação Islâmica humilhada, pobre, iletrada que odeia endemicamente os símbolos de quem os oprimiu durante séculos. E esse ódio congénito nasce fruto das más condições de vida, das altas taxas de desemprego das nações árabes que deixam toda uma geração de jovens na flor da idade sem perspectivas de futuro, sem sonhos e sem nada que fazer, senão gritar de revolta e de desespero. Gerações de árabes confusos, manipulados, pobres, famintos, envenenados de ódio e fanatismo religioso. Homens e mulheres sem nada a perder e a quem lhes foi dada uma arma carregada e uma razão para viver.
Acontecimento Internacional do Ano: A demissão de Donald Rumsfeld. O fim de um ciclo, de uma idiologia que não serve as pessoas e o mundo. Um imcompetente. Maléfico, estupido e hipocrita, não deixará saudades.
Personalidade Internacional do Ano: Bono Vox. A sua guerra perdida contra o HIV em África velem-lhe o respeito e o reconhecimento de todos nós. "Its no secret that the stars are falling from the sky"...
O ano começou com as águas do Katrina a trazerem ao de cima a verdadeira face da América: A pobreza, a miséria humana, o vandalismo. Passou pelo apocalipse no Iraque e por uma guerra desesperada de Isreal contra um inimigo infinitamente superior: o Hezsbollah. E depois de perdida a guerra, fazem-se agora as contas difíceis. Não há dinheiro nem vontade. Foi também o ano do fim de Kofi Annan nas Nações Unidas. Sai caído em desgraça e não deixa saudades. O ano do silêncio do Ira. Do atentado falhado em Londres. Da Natasha Kampush, das suas mentiras e da sua paixão pelo raptor. Foi o ano do filme de Al Gore e do despertar das consciências. O ano do principio para uma mulher que talvez mude o mundo : Hillary Clinton. O Ano do You Tube e da revolução na Internet que continua firme e pujante. O ano da AMD contra a Intel. Da Play Station 3. O ano do escândalo do futebol Italiano e o ano da vitoria da “Squadra” no campeonato do mundo. Foi ano em que Portugal se confirmou entre as 5 melhores selecções de Futebol do planeta. Somos uma nação de Futebol, como disse Ericsson. O ano dos primeiros e sólidos avanços nas células estaminais e o ano em que é impossível ignorar. O ano do escândalo de Lula, e do apoio incondicional do povo Brasileiro contra quem mais do que outro combateu a pobreza. Foi o ano da ascensão de um nome: Hugo Chaves e do ocaso de Fidel Castro e do seu sonho falhado: Cuba. O ano da morte da Saddam e de uma vingança antiga. O ano dos olhos tristes e cheios de sofrimento das crianças vitimas do HIV em África e do sentimento de impotência face ao apocalipse. Sabemos todos o que se passa, mas não podemos fazer nada. Foi um ano triste para o mundo. Os mesmos medos, a mesma desconfiança, os cenários do costume. Uma sensação de queda livre.
Um certo aperto no coração.
Albatroz, 2006





