Thursday, January 04, 2007

Resumo 2006 – Parte 3 : O meu mundo







“ System Error ”

Foi o ano do fim da guerra mentirosa e da sua ditadura de morte, balas, fogo e sofrimento.

Passados então que foram os tempos da masturbação colectiva dos “neo-coninhas “ de lá e de cá, que a finca pé defenderam a intervenção armada como solução para o cenário criada no médio oriente , vive-se agora um constrangimento generalizado, um silêncio incomodo, e a saída de cena silenciosa de muitas bocas que tanto bradavam antigamente.

Inesquecíveis serão para todo sempre o chulo Blair e a sua parafernalia idiótica e hipócrita de subserviência na melhor tradição britânica. Saiu de cena. E como esquecer o oportunismo escatológico do Durão, a vergonha que Portugal passou na cimeira dos Açores. Agora é tarde. Já pactuamos. Imortais serão também as imagens do ridículo de Colin Powell com o saquinho branco de Antrax nas Nações Uindas e o dedo erguido prometendo a guerrinha estúpida. Tiro pela colatra.

E claro…Como será possível não recordar a corja NeoCon, alinhada nos corredores do pentágono. Vendida, hipócrita, sedenta de guera e de dinheiro. E Rumsfeld e a sua empresa de logística, a Halliburton, que facturou com a morte. Mais tarde, saiu pela porta do cavalo, resignado, enxovalhado e isolado. Mas rico…E não era esse o objectivo?

E agora América? Como será possível passar por cima desta vergonha, deste dislate infinito e reconstruir a imagem junto do resto do mundo, recuperar a imagem e força diplomática de outros tempos, agora ferida de morte?

O médio oriente ruiu completamente num mosaico de grupos para-militares que juram morte e vingança contra o ocidente, E pior do que isto, só mesmo o facto de esse mesmo ocidente lhe ter dado algo de indestrutível: A razão. O mote e o propósito.

E o ocidente volta a insistir no mesmo erro de tratar o Terrorismo e os terroristas à moda de Hollywood. Bons e maus, justos e pecadores. Mas o terrorismo é apenas a face visível de uma nação Islâmica humilhada, pobre, iletrada que odeia endemicamente os símbolos de quem os oprimiu durante séculos. E esse ódio congénito nasce fruto das más condições de vida, das altas taxas de desemprego das nações árabes que deixam toda uma geração de jovens na flor da idade sem perspectivas de futuro, sem sonhos e sem nada que fazer, senão gritar de revolta e de desespero. Gerações de árabes confusos, manipulados, pobres, famintos, envenenados de ódio e fanatismo religioso. Homens e mulheres sem nada a perder e a quem lhes foi dada uma arma carregada e uma razão para viver.

Acontecimento Internacional do Ano: A demissão de Donald Rumsfeld. O fim de um ciclo, de uma idiologia que não serve as pessoas e o mundo. Um imcompetente. Maléfico, estupido e hipocrita, não deixará saudades.

Personalidade Internacional do Ano: Bono Vox. A sua guerra perdida contra o HIV em África velem-lhe o respeito e o reconhecimento de todos nós. "Its no secret that the stars are falling from the sky"...

O ano começou com as águas do Katrina a trazerem ao de cima a verdadeira face da América: A pobreza, a miséria humana, o vandalismo. Passou pelo apocalipse no Iraque e por uma guerra desesperada de Isreal contra um inimigo infinitamente superior: o Hezsbollah. E depois de perdida a guerra, fazem-se agora as contas difíceis. Não há dinheiro nem vontade. Foi também o ano do fim de Kofi Annan nas Nações Unidas. Sai caído em desgraça e não deixa saudades. O ano do silêncio do Ira. Do atentado falhado em Londres. Da Natasha Kampush, das suas mentiras e da sua paixão pelo raptor. Foi o ano do filme de Al Gore e do despertar das consciências. O ano do principio para uma mulher que talvez mude o mundo : Hillary Clinton. O Ano do You Tube e da revolução na Internet que continua firme e pujante. O ano da AMD contra a Intel. Da Play Station 3. O ano do escândalo do futebol Italiano e o ano da vitoria da “Squadra” no campeonato do mundo. Foi ano em que Portugal se confirmou entre as 5 melhores selecções de Futebol do planeta. Somos uma nação de Futebol, como disse Ericsson. O ano dos primeiros e sólidos avanços nas células estaminais e o ano em que é impossível ignorar. O ano do escândalo de Lula, e do apoio incondicional do povo Brasileiro contra quem mais do que outro combateu a pobreza. Foi o ano da ascensão de um nome: Hugo Chaves e do ocaso de Fidel Castro e do seu sonho falhado: Cuba. O ano da morte da Saddam e de uma vingança antiga. O ano dos olhos tristes e cheios de sofrimento das crianças vitimas do HIV em África e do sentimento de impotência face ao apocalipse. Sabemos todos o que se passa, mas não podemos fazer nada. Foi um ano triste para o mundo. Os mesmos medos, a mesma desconfiança, os cenários do costume. Uma sensação de queda livre.

Um certo aperto no coração.


Albatroz, 2006

Esclarecimento


Serve o presente para informar a comunidade blógica que se tem mostrado indignada com o meu silencio desde o ultimo post, que a verdadeira razão se prendeu com uma avaria verificada no meu modem de acesso á internet.

Após a avaria ter sido solucionada, informa-se desde já o restabelecimento da normalidade.

Futuros desenvolvimentos, serão naturalmente comunicados à comunidade.

Obrigado.


Albatroz, 2007

Friday, December 29, 2006

Resumo 2006 - Parte 2 : O meu país


“A Republica das Bananas”

Em Portugal, tudo normal. O submarino segue desgovernado, cruzando um oceano de escandaleiras, de cagadas desconexas e outras vergonhas. Foi por isso o ano da confirmação. Da confirmação do clientelismo, do atraso, do desemprego, do desnorte.

No final, salvaram-se os suspeitos do costume e a jangada de pedra continua a meter água.

Personalidade Nacional do Ano : José Sócrates – O Timoneiro aguenta firme o leme e resiste a várias tormentas. Prometeu baixar os impostos e até as SCUTS vamos pagar, prometeu combater o desemprego e o desemprego aumentou, prometeu isto e aquilo, mas nem isto nem aquilo, nada mesmo. Positivo foi o combate sem tréguas ao crime económico, na ânsia descontrolada de arranjar receitas que ressuscitem o morto, mas fica a sensação que combateu moinhos de vento e que no final ficarão as intenções, mas talvez se abra o precedente, nunca se sabe. Inovjovens, Simplexs, e outras merdas, todos nos habituamos a este palavreado pseudo-tecnocrata de gente dinâmica que no final desenha elipses que voltam ao mesmo e não fazem um corno, mas são de louvar as intenções. Um timoneiro bem intencionado que acaba o ano em alta e com o eleitorado rendido, à falta de melhor. Isto porque a direita se afunda na sua profunda anorexia ideológica e a esquerda acorda do seu sono prolongado.

Acontecimento Nacional do Ano: O Fecho da General Motors da Azambuja – Triste sina a deste país que não controla o monstro endémico do desemprego. Na Azambuja desenhou-se o drama que todos envergonhou, nem o governo disfarçou o incómodo e a tristeza. Fica aquela sensação de impotência, de descrédito, de que algo vai mal, muito mal mesmo. Olhamos os olhos daquela gente e estranhamento nos reconhecemos. Já não os vemos como gente distante. Sentimos um laço, algo de familiar. Temos muita dificuldade em compreender este mundo e porque “tem de ser assim”. Sentimos revolta, mas quem devemos combater? Queremos ajudar, mas como? Será que tem mesmo de ser assim? E se tem…porque razão? …

Foi o ano do apito dourado, do fim de Souto Moura, do principio de Manuel Alegre, do Cavaco Reloaded, do Cavaco Incorporated, da confirmação do Bloco de Esquerda, do eclipse do PP, da reentrada de Maria Morgado, da implosão de Barroso, dos livros do Professor, das calorias dos Morangos com Acucar, dos olhos da Luciana Abreu, do circo do Alberto João, do Scolari e do FCP, dos casais na forca do crédito, do livro de Carrilho, da fruta, do Gato Fedorento e da Tragédia do Rivoli, de Mourinho, da selecção Nacional e de um nome : Cristiano Ronaldo.

Mais um ano na republica das bananas, nada de especial a registar, siga a rusga.

Over and out.


Albatroz, 2006

Thursday, December 28, 2006

Resumo 2006 - Parte 1 : O meu ano


“O Fim das Utopias”

Foi o ano de vários fins avulsos, caminhadas pelo deserto, redefinições, insónias e anti-inflamatórios. Um ano para esquecer.

O ano em que fantasmas antigos regressaram em força. Assombrações travestidas mas reconhecidas. Coisas familiares que julgava desaparecidas.

- Terminei uma relação longa (?) de 3 anos, mas rapidamente descobri que várias outras coisas também terminaram para mim: Algumas utopias que afinal nunca existiram, que eu imaginei com muita força, pois queria que fossem reais. Mas eram piores do que uma miragem. Foi tempo de virar a página.

- A nível profissional foi a derrocada de um projecto cheio de fendas, que nasceu torto, fruto da pressa de aranjar emprego e da necessidade de não ficar de fora . Passado algum tempo descobri o engano: Nunca me disseram sequer que “talvez”, a minha foto nunca surgiu no organigrama, nunca me senti a pertencer, fui sempre um outsider, desmotivei-me sem perceber. No final disseram que cheirava a mofo. Gostei do cinismo.

- Foi o ano das dores: Dores de dentes, dores de barriga, dores de coração. Os dentes, esse demónio antigo que regressa ciclicamente, desta vez excedeu-se no sadismo. Foram noites de dores profundas e latejantes, de desesperos parvos e sem sentido. Um ano de piscinas de antibióticos com nomes medonhos : “ Zoroflex”, “Clavamox”… O ano das pastilhas de cor branca, das ampolas e dos efevercentes, das contra-indicações e dos efeitos secundários. Dores de dentes que eram combatidas com dores de barriga, dores de barriga que eram efeito das pastilhas para as dores de dentes. Uma confusão masoquista, um auto-enrrabanço não lubrificado que acabou por me foder todo.

- O ano das depressões. Incompreendido, sem me compreender, triste, preocupado, pessimista, desmotivado, desesperado. Fechei-me. Nem as lágrimas já tinham a força de outros tempos. Baixei os braços. Senti o peso das coisas. Nem sequer quis ser ajudado e não me apeteciam os discursos do costume. As palmadinhas nas costas. O “a vida é assim” e essas merdas…Já para o fim, tive uma psi na minha frente a tentar falar da minha vida e a arriscar me perceber. Falou-me de erros, de acreditar, da minha idade, de amores à distância e outros filmes trágico-comicos. Depois, tratou-me à moda dentária: Uma pastilhazita que deveria ser tomada todos os dias depois do jantar, sem esquecer. Resignei-me. Que se foda, pior não fico.

- Pelo meio da escuridão, um postigo de luz. Uma mão que se me estendeu. Improvável. Um anjo quase poético. Alguém que me obriga a acreditar e a sonhar tudo de novo. Que obriga a obrigar-me. Que me devolveu o que se perdeu pelo caminho. Que me apanhou do chão e teve a paciência infinita de colar os cacos.

Foi o ano do fim das ilusões. O ano dos enganos e das dores.

Um dos piores da minha vida.


Albatroz, 2006

Tuesday, December 26, 2006

X = + infinito


As pessoas são relativas.

E tudo nelas também é relativo.

O amor, os sonhos, a felicidade, as promessas incumpridas...

Tudo relativo.

Frases como “ Serás minha /a para sempre”, são sempre relativas. Como diria alguém: depende da escala de tempo, dos referenciais…depende, enfim, de muita coisa.

Muito poucas certezas e o nevoeiro do costume: Neste mundo somos como uma partícula solitária nas margens de um átomo que nos esmaga, somos incertos por princípio, indefinidos na definição.

Não existe cálculo que nos possa calcular, não temos principio nem fim, podemos ser, não sendo. Somos confusos.

E o que somos agora, é provável que não sejamos amanhã.

Percebem não percebem? Eu sei que sim.

E por isso é que somos uns acagaçados do caralho. Porque nos queremos compreender.

Fazemos uma montanha de perguntas, na tentativa vã de escrevermos a equação que nos define a nós mesmos e ao outro.

Olhamos nos seus olhos na busca da solução, mas rapidamente parámos a meio das contas quando percebemos que somos nós a incógnita.

Uma inequação estúpida, sem sentido, cuja solução é x igual a mais infinito. Uma piada aberrante, um erro.

Se somos matéria, somos Física.

Uma Física paradoxal e se calhar impossível de ser entendida por nós, o objecto de estudo.

Talvez um dia um ser de outro planeta nos descubra e estude…

Escreve duas ou três equações diferenciais cuja resolução encha duas ou três páginas A4 de continhas bonitas e outros sarrabiscos.

Esperemos é que no fim…

X seja igual a alguma coisa.


Albatroz, 2006

Friday, December 22, 2006

Algo que eu nunca poderei ter...




"Something I Can Never Have"

I still recall the taste of your tears.
Echoing your voice just like the ringing in my ears.
My favorite dreams of you still wash ashore.
Scraping through my head 'till I don't want to sleep anymore.

[Chorus:]
You make this all go away.
You make this all go away.
I'm down to just one thing.
And I'm starting to scare myself.
You make this all go away.
You make this all go away.
I just want something.
I just want something I can never have

You always were the one to show me how
Back then I couldn't do the things that I can do now.
This thing is slowly taking me apart.
Grey would be the color if I had a heart.

Come on tell me

[Chorus]

In this place it seems like such a shame.
Though it all looks different now,
I know it's still the same
Everywhere I look you're all I see.
Just a fading fucking reminder of who I used to be.

Come on tell me

[Chorus]

I just want something I can never have


Nine Inch Nails "Pretty Hate Machine"


Albatroz, 2006

Wednesday, December 20, 2006

A Força da Natureza



albatroz, 2006

Tuesday, December 19, 2006

SIM


Fala-se da vida, de direito à vida, de vidas inocentes.

Eu diria então que são os argumentos do lado da fora da esfera. Porque a verdade é que existem sempre várias formas de olhar uma questão.

Vida. De quem? Da mãe ou do feto? Ou dos dois?

É que uma mãe mal informada, com medo de ser presa, como medo de não ter dinheiro para um aborto medicamente assistido, com medo da vida e do que a vida lhe acabou por trazer…Uma mãe destas, que lhe passará pela cabeça? Em que pensará ela?

Que acham que esta mãe assustada, sozinha, em sofrimento, vai fazer?... Vai muito dignamente enfrentar o seu destino e ter o seu filho? Enfrentar o facto de o ter de doar, de querer ficar com ele, para depois não o poder ter? Para não poder comprar as fraldas, para não lhe poder dar o leite?... E será que queria de facto ter um filho?... E não querendo, que acham que uma mãe faz?

Quantos de vocês desse lado já foram “mães”?

E a vergonha?...Os pais ausentes e inquisidores?

Que acham que ela vai fazer? Enfrentar a punição, o despeito, a reprovação pelo que “fez de mal”?

E será que fez alguma coisa de mal?

E se não fez, porque tem ela medo e vergonha?

Qual é o problema?

Não deveria ela saber que ter um filho é óptimo, mas que trazer uma vida a este mundo encerra responsabilidade, deveres, sacrifícios?

E se não sabia, porque não lhe disseram?

Deve ser condenada a sucumbir ao medo e a tudo o resto e abortar num vão de escada obscurecido? O resultado não é o mesmo pois não?

Não deveria ela saber?

Se não sabia, quem falhou?

E não deverá ela dar à vida uma segunda oportunidade?

E nós?

Será melhor prendê-la? Ou ajudá-la?

Devemos dizer Não, não podes, porque erraste, e por isso deves pagar?...Ou Sim, podes, porque erramos todos e deves voltar a sonhar?...



Albatroz, 2006