Tuesday, December 26, 2006

X = + infinito


As pessoas são relativas.

E tudo nelas também é relativo.

O amor, os sonhos, a felicidade, as promessas incumpridas...

Tudo relativo.

Frases como “ Serás minha /a para sempre”, são sempre relativas. Como diria alguém: depende da escala de tempo, dos referenciais…depende, enfim, de muita coisa.

Muito poucas certezas e o nevoeiro do costume: Neste mundo somos como uma partícula solitária nas margens de um átomo que nos esmaga, somos incertos por princípio, indefinidos na definição.

Não existe cálculo que nos possa calcular, não temos principio nem fim, podemos ser, não sendo. Somos confusos.

E o que somos agora, é provável que não sejamos amanhã.

Percebem não percebem? Eu sei que sim.

E por isso é que somos uns acagaçados do caralho. Porque nos queremos compreender.

Fazemos uma montanha de perguntas, na tentativa vã de escrevermos a equação que nos define a nós mesmos e ao outro.

Olhamos nos seus olhos na busca da solução, mas rapidamente parámos a meio das contas quando percebemos que somos nós a incógnita.

Uma inequação estúpida, sem sentido, cuja solução é x igual a mais infinito. Uma piada aberrante, um erro.

Se somos matéria, somos Física.

Uma Física paradoxal e se calhar impossível de ser entendida por nós, o objecto de estudo.

Talvez um dia um ser de outro planeta nos descubra e estude…

Escreve duas ou três equações diferenciais cuja resolução encha duas ou três páginas A4 de continhas bonitas e outros sarrabiscos.

Esperemos é que no fim…

X seja igual a alguma coisa.


Albatroz, 2006

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