Friday, September 15, 2006

Depois, após e durante



Depois dos ventos, depois das chamas, das bombas, dos gritos e dos ódios remoídos.

Depois de perdidos os sonhos, de morta a esperança, depois de o sol deixar de brilhar e o mundo de existir ou fazer sentido.

Depois de perceber que interessa ser bonito, ter a pila maior, chegar antes e ter medo de chegar tarde, de perder ou ganhar, de ser ou de poder vir a ser, depois de agora não ser nada, e nada ser o que sou, depois do que fui.

Depois de perceber que a ninguem importam ou interessam as minhas palavras, de perceber que podia ter sido mas não fui, que podia ter tido, mas não tenho.

Depois de tudo, depois de tudo ter acabado, e começado...

Depois das reticências, depois das palavras sem açentos, depois das mulheres que me detestaram, sem eu saber porquê, depois das que amei, sem saber como.

Depois de não me quererem, de me quererem assim-assim, depois das palavras que não queria ouvir, depois das lágrimas...

Depois de não me achar nada de especial, nada que requeira um segundo olhar ou uma opinião, depois de ser nada, nada de especial, depois de ser “interessante”, depois de me achar um pote de merda fétida...depois das moscas me terem provado e gostado.

Depois de ter nascido, e durante a primeira foda mal dada, depois da minha 2º vez...

Depois daquele exame, depois de me terem olhado com aqueles olhos, depois de me terem exigido tudo, e de depois me teram dado nada...

Depois do meu pai, durante a minha mãe e após alguém que disse que me queria para sempre.

Depois dos dinossauros, antes do cometa.

Depois dos meus sonhos, durante as desilusões e após as noites em que chorei sem ninguém saber.

Depois das que me “riscaram”, depois das mensagens escritas em jeito de despedida, depois de me terem ferido e me abandonado...

Depois de ter chorado outra vez, após ter gritado de raiva, e ter a certeza que ninguém ouviu.

Depois de não me fazer entender, nem querer...Com medo que me percebam e se riam.

Depois de feitas as contas, voltar ao mesmo. Noves fora nada, nada de especial.

Depois destas frases soltas e inuteis.

Depois desta noite.

Depois acordo e volto a sonhar tudo de novo.

Depois de mim, depois das lágrimas, depois dos beijos, dos abraços, dos sonhos, das ilusões, das mentiras, de ter sido sem querer, de ter querido ter sido, de não ter conseguido.

Depois de ter nascido, durante o tempo em que vivo, após te ter conhecido.

Depois, tudo finalmente faz sentido.

Tudo é assim, porque tem de ser.

Depois de mim e durante o tempo em que sou.


albatroz, 2006

1 Comments:

At 10:07 AM, Anonymous Anonymous said...

Depois do primeiro olhar, após o primeiro beijo e durante p primeiro toque, encontrei quem tem o dom de me fazer feliz
ST

 

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