Espelho, espelho meu...

Perceber, é fodido.
Porque a no momento em que percebes, assassinas as ilusões, destróis a duvida, o que poderia ser, visto que não é, como é entendido.
Podes viver uma vida toda a pensar que és atraente, bonito ou simpático.
Até ao dia em que percebas que não és.
Depois de perceberes, acabou, finito. Já não há nada a dizer: Conformas-te com o mundo.
Pronto é assim, acabou.
Em certa medida, é como te matassem, a diferença é que continuas vivo.
Mas não há dúvida que algo morre, e morre cá dentro, numa sombra algures na tua alma, numa dispensa poeirenta onde poucos chegam. Percebes? Não?
Eu explico.
É que nesta vida as pessoas preferem não saber e não perceber. Preferem acreditar no que não é verdade, porque a verdade muitas vezes também é cruel e circunscrita, insofismável. A verdade é sempre indesmentível.
Por isso, cuidado com os espelhos.
Cuidado com aquelas perguntas…
“Espelho, espelho meu…”...
Será que és bonita? Ou bonito? E quanto é que isso importa?
E o amor ?....È assim tão importante neste mundo? Já percebeste que nem sempre.
Já agora: O tamanho importa? Claro que sim.
E o dinheiro? È o mais importante? É obvio.
As mulheres traem menos que os homens? Ora pensa...
As pessoas são em geral falsas e hipócritas?
Paras para pensar… Sentes um estranho calafrio percorrer-te a espinha, como se tivesses com medo da resposta. E estás.
Olhas à tua volta....
E percebes que sim.
Albatroz, 2006


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