Monday, May 29, 2006

Todos esses momentos perdidos, como lágrimas na chuva


A nave extra-terrestre desceu no escuro da noite. Pousou perto, atrás de uma cerca perdida na escuridão.

Tive alguma dificuldade em perceber a figura esguia e estranha que se aproximava de mim, meio ambaciada pelas lágrimas e pela chuva .

Dobrou-se e pousou a sua espécie de mão sobre a minha testa, num toque cheio de conforto, como se fosse o toque de uma mãe. Como o toque de uma mãe....

Como o toque de uma mãe.

Serviço de amor inter-galático, pensei eu.

Deixei-me adormecer nos seus braços longos e irreais, sob o seu toque suave cheio de ternura.

A chuva não a sentia, e a noite envolvia-me como um manto, num estranho afago.

Um momento de amor infinito como o universo, perdido no tempo...

Como as minhas lágrimas na chuva.


albatroz, 2006

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