A Base do Ódio

As reedições cíclicas da intolerância nidificam nos seus suportes de ódio, que por sua vez nascem de outros ódios, ainda mais antigos e viscerais.
O teóricos da psicologia defendem que muito do que é um ser humano se resume a uma pirâmide ( a pirâmide de Maslow). Na sua base estão as necessidades fisiológicas, depois a segurança, depois a pertença (sim, pertencer a alguma coisa, curioso...), o reconhecimento e a auto-realização no topo.
Se vivermos num mundo que nos retire as 3 primeiras: fisiologicamente não termos nada para comer, não nos sentirmos seguros, termos a impressão que somos perseguidos, que ao dobrar da esquina está uma bomba ou alguém para nos matar, e se não tivermos uma pátria, uma terra que sintamos como “nossa”, se eliminarem a nossa “pertença”, a nossa identidade, somos então smi-humanos, porque a nossa pirâmide fica sem base, somos seres humanos a que falta uma base, somos alguém que não se suporta em nada.
Que somos nós então?
O que nos fará acordar e enfrentar o dia e o resto das nossas vidas?
O ódio nasce do que nos falta como seres humanos, das peças soltas que nos alimentam a raiva contra a diferença, contra ou outros que sentimos que nos matam devagar, porque nos roubam a dignidade e a base da pirâmide.
Um povo numa jihad alimentada pelo ódio, um povo que sofre a fome, que se sente perseguido e desenraizado, é um inimigo impossível de vencer pelas armas.
E nem se pode falar em vencer, pois esta palavra encerra em si algo conotado com “ subjugar”, ou “ultrapassar”, “derrotar”, em vez de “entender” ou “mudar”....
O ódio, alimenta-se dele mesmo. Em circuito fechado, em constante feedback, inchando numa bolha sanguinolenta e aterradora.
Se calhar, este ódio endémico e incontrolável vence-se com outra coisa.
Fazem-se musicas sobre ela.
Escrevem-se livros em seu nome.
Uma utopia?
(albatroz, 2006)


1 Comments:
De facto, ódio não se pode combater com ódio.
E é preciso perceber o que está por detrás do ódio, quais as origens e as causas. Só assim se poderá mudar alguma coisa. Doutra forma o ódio e a violência perpetuam-se e alimentam-se mutuamente.
Como dizia o protagonista no Filme Munique "matamos os lideres e estes são substiuidos por outros ainda piores".
É tão mais fácil condena-los, dizer que são incivilizados, selvagens. Pois...está bem, mas isso não nos leva a lado nenhum. Ninguem nasce naturalmente "mau".
I.
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