Wednesday, December 21, 2005

System Error


Primeiro a ideia era uma nuvem difusa, nascida da necessidade.

Colher o alimento de um país tóxico-dependente de petróleo, movido a disel e já a vapores...e dar razão de ser ás espadas da guerra tecnológica, porque doutra maneira, estariam esquecidas, a ganhar pó...

As armas existem apenas para a guerra. A lógica antiga.

O Policia do mundo é a unificação, o verbo com que se conjuga a ordem internacional, que sustenta a nossa falsa segurança à lei da bomba...

E falsa é a nossa segurança, porque nunca antes nos sentimos tão inseguros.

Depois das torres da arrogância ruírem ante os seus próprios olhos, os EUA embarcaram na diáspora do costume, agora travestida de vingança... mas sempre com a missão antiga: roubar ao mais fraco no lugar mais lógico.

Sim, porque a nação mais poderosa do mundo, também é a mais endividada, e afundada que está em dívidas, foge para a frente, reconquistando o mundo, um paliativo desconexo e irreal.

Mais tarde, veio a mentira.

Colin Powel segurava um saquinho na sede das NU, onde estaria a prova, o Antrax árabe, e a pés juntos jurou que no Iraque habitava um louco sanguinário e um povo numa guerra santa contra os EUA, contra o “nosso” mundo, e alguns acreditaram...

Acreditaram e polvilharam os jornais de colunas de ódio e outros parágrafos que insinuavam uma raiva virulenta contra o povo dos turbantes...a ameaça invisível das armas de destruição maciça, e os Nunos Rogeiros bradavam histéricos a demanda da democracia e da liberdade contra a loucura cega e sem propósito, como se os árabes não fossem pessoas.

Mas maciça era a mentira.

Outros houve que recuaram perante o dislate, e foram crucificados, queimados na praça pública. E dos franceses, nem as batatas fritas, traidores...

Depois disto tudo, depois de ter assentado a poeira: a verdade.

Os mortos.

Os gritos.

As torturas, Abuh Grahib...

E a face escura da mentira que nos foi vendida. E que tivemos que comer como um hamburger que não sabe a nada.

Sentimo-nos culpados, porque somos uma peça da arma que é o medo irracional.

A primeira baixa do Iraque, não foi um árabe descalço, iletrado e com fome...A primeira baixa também não foi um Marine medroso e desempregado...

Quem morreu com as bombas foi a liberdade, fomos todos nós.

A memória esquece, é certo, mas esta nódoa de sangue purulento que escorreu da ferida aberta do médio oriente, contém em si a semente de uma desconfiança, de um ódio impossível de medir, e cada vez mais incontrolável.

Hoje, no Iraque, moram as bombas e os carros armadilhados.

O povo Árabe odeia-nos mais, quer-se vingar de quem tanto os faz sofrer e se recusa a entender a sua cultura, os seus sonhos, a sua história e aquilo que querem para si.

A guerra impossível de ser ganha serviu os mesmos: Os que fazem as espadas tecnológicas e que com elas nos imponhem o medo.

Porque apenas aterrorizados podemos ser controlados e dóceis.

Apenas com medo nos negamos a sonhar e aceitamos o nosso destino, e apenas dessa forma obedecemos.

Mas a história acerta sempre as suas contas, e a factura do ódio, da guerra impossível e do medo infinito, só mais tarde vai ser cobrada.

A talvez só nessa altura vamos poder olhar para trás e tentar entender.

A mentira que explodiu num banho de sangue.

A mentira cirúrgica.

O erro de sistema inexplicável.


(© albatroz, 2005)

1 Comments:

At 10:22 PM, Anonymous Anonymous said...

Olá primo!!! Ca estou para te deixar algumas palavras! Primeiro, PARABENS plo blog!!!
Agora eis a minha opinião:
Para mim os EUA são o país mais hipocrita á face da terra,a começar pelo cowboy do presidente que nem falar sabe e que postula que os EUA são o lado bom e o povo árabe o lago negro ("the dark side"),for God sake!!!Quem no seu perfeito juizo diz tamanha idiotice??
Tudo começou c a desculpa das armas biologicas, passou a uma libertação do povo iraquiano, face ao ditador Saddam, homem esse, posto no poder pelos proprios EUA aquando a ameaça Iraniana..
Então pronto, o iraque foi invadido c a falsa desculpa, e o petroleo explorado....Eu sei que isto n é assim tao linear, mas invadir um país , contra a vontade do mundo, para ir buscar petroleo...
Concordo ctg, perdeu-se a liberdade, os gajos passam por cima de tudo e de todos o resto q se lixe o que é preciso é petróleo para gastar em mais armamento bélico,que mais nenhum país pode ter, em vez d matar a fome em Àfrica...
Bem,está aberta a discussão!!
Bjocasss

 

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