O fim do Inverno

Algures no Outono da noite, estendo o braço para as estrelas.
Sei que estás aí, porque te sinto esvoaçar na brisa fria.
O Inverno mora no meu coração.
À minha frente, a noite chora o vento que é frio e triste.
As estrelas formam o teu rosto.
Atrás do horizonte, algo se insinua:
Uma luz ténue, como uma promessa.
Algures na noite, ouço o canto dos pássaros pela primeira vez.
A tua voz ecoa no meu peito e ouço-te em silêncio.
Uma primavera nasce devagar.
À minha frente, a noite adormece e limpa as minhas lágrimas.
Sorris-me das estrelas.
A luz começa numa bolha que se inventa atrás do horizonte
Como um vírus, a vida acorda em mim.
Sei que estás aí, porque já sinto o teu toque quente.
Como quentes eram as minhas lágrimas.
O Verão explode num sopro de luz.
Uma luz que cresce porque se inventa a ela própria.
Abraço-te.
Sei que estás aqui porque te sinto.
Sinto as tuas mãos que inventam o meu mundo.
Sei que vivo porque me amas.
O sol já sorri, meio afundado no horizonte.
A noite foi-se embora.
O Inverno acabou no meu coração.
Amo-te.
(© albatroz, 2005)


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