Saturday, December 31, 2005

O Balão de Oxigênio


"As estimativas orçamentais ontem divulgadas pela Entidade das Contas e Financiamentos Políticos revelam que Cavaco Silva prevê gastar 3,7 milhões de euros, ou seja, os dez mil salários mínimos permitidos por lei. A maior parte da verba, 1,47 milhões de euros, será destinada a publicidade. Um total de 665 mil euros será empregue em acções de campanha e 402 mil euros em material de propaganda." (Expresso on-line)

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A Cavaco Inc. em velocidade de cruzeiro. Só com muito dinheiro se vende um saco vazio cheio de nada, e se constrói uma embalagem bonita para consumo rápido, a pastilha-elástica deita fora.

A última de Cavaco foi essa espécie de ejaculação mental precoce do “Secretário de Estado”, que faz um chat com os “responsáveis” das empresas, para ver se elas ficam. E mais uma vez, isto revela um candidato que se anula a ele próprio quando abre a boca, porque quando a abre, normalmente, sai mosca.

Cavaco subsiste então porque é apoiado pela nata empresarial endinheirada, que o patrocina ilimitadamente (com gastos oficiais da campanha a ascenderem já aos 3700000 euros, mais de meio milhão acima de Mário Soares, e a anos-luz dos restantes), e lhe coloca à disposição um staff competente e rotinado, o balão de oxigênio.
A condição? Que não abra muito a boca. E Cavaco, no seguimento, já informou que não quer mais debates, porque já se enterrou que chegue.

Cavaco “expropriou-se” a ele próprio quando ingressou as fileiras dos neo-liberais tugas, que apostam na politica do “terror” do défice, nos despedimentos e no desemprego, como forma de salvar os coiros e obter lucro rápido, que a vida é curta. Mas, é lógico, uma coisa destas não se pode vender ao povo.

Ele, no fundo, para muitos dos “enganados” pela Cavaco Inc., representa uma espécie de contraponto para as politicas de Sócrates. Enganam-se. Cavaco é um Sócrates ao quadrado, é um digno representante das políticas economicistas dirigidas para o lucro, para o dinheiro, e não para nós, as pessoas. Basta ver quem o apoia e patrocina, para ver que não podia ser de outra maneira.

Cavaco quer-se caladinho, para não complicar. Obediente aos seus tutores.

A rebolar, para depois dar a patinha.



(© albatroz, 2005)

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